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Cheias na Sertã

A Sertã viveu no dia 24 de Novembro de 2006 as piores cheias alguma vez registadas nesta região, segundo se ouviu dizer entre a população da Sertã na manhã de sábado (dia 25). Atendendo ao facto de se tratar de uma catástrofe natural e numa primeira análise, haveria apenas que atribuir culpas às forças da natureza ou a alguma ira dos deuses, enfim, lamentar. Contudo, ainda que se possa classificar o fenómeno das cheias como fenómeno natural, a destruição não se explica em exclusivo por origens naturais. A principal responsável pela amplitude que a catástrofe atingiu é sem qualquer dúvida a mão humana. Em primeiro lugar, os incêndios florestais dos últimos verões provocaram uma grave falta de vegetação que não permitiu a infiltração das chuvas no subsolo pelo que as águas das chuvas foram imediatamente lançadas nas linhas de água e nas ribeiras. Também em consequência dos incêndios, os solos ficaram despidos e tornaram-se por isso presa fácil da erosão agravando a situação. Por outro lado, são lamentáveis os descuidos com lixos e outros materiais abandonados em áreas de inundação. Assim, tudo foi facilmente arrastado: árvores e madeiras abandonadas nas margens das ribeiras, terras, e objectos variados (foram avistados frigoríficos a boiar) vieram engrossar os caudais. É visível que a grande destruição verificada nesta catástrofe se deveu à acção do que se pode chamar “armas de arremesso”: toros de pinheiros que tinham sido arrastados pela a corrente da ribeira viajaram a uma velocidade indescritível no dia 24 e foram atirados contra construções, candeeiros da praia fluvial e jardins marginais, pontes e tudo o que se cruzou com eles. A mão humana contribuiu para a catástrofe com outras atitudes, desde logo a teimosia de construir em leito de cheia. Há memórias demasiado curtas que depressa esquecem que o clima desta região é muito irregular: ainda que se atrevesse grandes períodos de seca, não podem ser esquecidos os Invernos muito chuvosos, nomeadamente aqueles em que as tempestades de Oeste visitam Portugal com intensidade capaz de provocar grandes tempestades.

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